"Jefferson se opôs aos beatos, não à Religião", afirma missivista no The Washington Post
Nesta manhã de sábado, acessei o The Washington Post e me deparei com esta afirmação de um leitor do jornal norte-americano, na seção "Cartas ao Editor". Trata-se de mais uma resposta ao texto de David Ignatius publicado na edição de 27 de dezembro.
O leitor, Don Patterson, chama a atenção para um aspecto que, segundo ele acredita, Ignatius deixou passar: como a desenfreada racionalidade secular tão facilmente permite que interesses joguem a moralidade para bem longe.
Segue o leitor atentando para o fato de que Jefferson jamais promoveu a secularização ou opôs-se a religião como uma fonte de orientação para cidadãos e lideranças políticas. Ele se opunha, isto sim, aos beatos déspotas, politicamente controladores, e mesmo que ele pudesse ter confiado excessivamente na superação do dogma religioso pela razão, para Jefferson, no entanto, a "religião promovia a moralidade e a moralidade era central para o sucesso da democracia", encerra seu comentário o leitor do jornal de Washington.
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sábado, 29 de dezembro de 2007
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Religião e Política

Se os Pais Fundadores eram homens do Iluminismo, a razão governava sua maneira de pensar.
Por conseqüência, a política norte-americana, herdeira de Jefferson e Adams, não precisa de políticos religiosos, como Mitt Romney. Acho que este é, no fundo, o cerne da oposição do Sr. Ignatius à candidatura do homem de negócios-feito-político mórmon.
Assim, as cartas por eles trocadas (pelo menos as que o colunista do The Washington Post selecionou) deixariam clara a idéia que religião e política não se misturam, ou antes, que a primeira é nociva à segunda.
Logo, não faria o menor sentido alegar, como fez no discurso "Faith in America" (http://www.mittromney.com) o empresário pré-candidato à presidência dos EUA, que, assim como os Fundadores pediram bênçãos a Deus nos momentos de maior perigo na luta por sua independência, que ele governaria com um olho na Constituição e o outro na Bíblia Sagrada.
A eventual vitória de Mitt Romney (na foto com sua esposa ao fundo) ao cargo de presidente da nação mais religiosa do mundo, resultaria numa teocracia?
Vou pensar...
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Descolonização ou Revolução Burguesa?

O Segundo Congresso Continental de Filadélfia
Como as relações entre as Treze Colônias e a metrópole (não se esqueça que agora nós já sabemos que havia "segmentos do sul") caminhavam para um ponto sem volta, os coloniais organizam o Segundo Congresso Continental de Filadélfia, em 1776.
Neste Congresso, "sob a liderança de Thomas Jefferson" (olha ele aí, minha gente, o senhor das cartas e da ilustração do post "Jefferson e Adams, homens do Iluminismo"!), foi "redigida a Declaração Unânime dos Treze Estados Unidos da América - a Declaração de Independência".
Quem era Thomas Jefferson??? Comerciante, industrial, pai-de-santo de candomblé???
"O Congresso confirmou George Washington (o ilustre senhor que ilustra este post) como comandante das tropas de independência". George quem? Parece até nome de jogador da NBA. Mas, frustram-se os estudantes que gostariam de saber de onde esse moço veio...
Enfim, mesmo com tantas lacunas, as autoras assinalam que as "lutas estenderam-se até 1783, quando Londres reconheceu, pelo Tratado de Versalhes, a independência dos Estados Unidos da América".
Será que as tropas norte-americanas eram mais sagazes do que as inglesas e por isso venceram? Ou foi a Inglaterra que bateu no tatame, desistindo da luta? E os franceses, tiveram alguma participacion? E os indígenas, sacos de pancada nos filmes de John Wayne, atuaram de que lado?
Mas o que eu quero saber mesmo é: raios me partam, quem foram os Pais Fundadores???
The Boston Tea Party

Embora pareça nome de banda de rock, este foi mais um dos incidentes daquele período.
Bem, "Boston Tea Party" quer dizer Festa do Chá de Boston e consistiu numa ação colonial contra os interesses ingleses. Em breves palavras, vejamos o que realmente aconteceu nessa "festa".
Disfarçados de índios, os coloniais "jogaram ao mar carregamentos de chá trazidos pela Companhia das Índias, e cujo preço baixo arruinaria os comerciantes locais, que se abasteciam em outras paragens", afirmam as autoras.
Coitados dos índios, levaram a fama. Infelizmente, os estudantes do ensino médio acabam por não saber se os "pele-vermelhas" sofreram alguma represália ou se foram mesmo acusados pelo incidente. Agora, pensando com meus botões (que botões?? eu estou sem camisa!! malditos clichês!!), embora não se possa falar ainda, para a época, em terrorismo, será que daria para classificar este gesto dos colonos como um ato "proto-terrorista"???
Adiante as autoras referem-se a mais um incidente: a ocupação militar do porto de Boston, principal canal de escoamento dos produtos norte-americanos, em 1774. É evidente que isto vai repercutir com mais intensidade sobre os anseios coloniais, não é verdade?
A resposta dos coloniais veio à altura: reunidos na Filadélfia, eles formam o Primeiro Congresso Continental de Filadélfia pedindo, é claro, por meio de um documento, que de boca nada conseguiriam, "o fim das medidas restritivas ao desenvolvimento das colônias".
Nem se a Virgem Maria pedisse, os ingleses aceitariam o pedido dos coloniais. Eu duvido.
Como peças de dominó que caem e derrubam as seguintes, Londres imediatamente intensificou a repressão, dando início aos conflitos armados. Infelizmente, só agora, no livro que estamos buscando aprender sobre a independência das Treze Colônias, é que aparecem os "segmentos conservadores do sul" que, do nada, aderem às idéias libertadoras.
Ora, havia divisões internas entre as Treze Colônias? Segmentos do Sul, que história é esta, baby? Alguém também notou que nada foi dito sobre os Fundadores, que foram o alvo da coluna de Ignatius?
A independência dos EUA

DOMINAÇÃO VERSUS RESISTÊNCIA
Se a metrópole "apertou" o controle sobre as colônias, é óbvio que é preciso perguntar a razão desta medida de restrição.
As autoras então apontam haver "fatores de ordem estrutural e conjuntural" (É legal fixar isto. Relações de causa e efeito, do tipo "A" leva a "B", facilitam o entendimento do processo histórico, ainda que nem sempre sejam inteiramente válidas empiricamente).
(a) Fator de ordem estrutural: a Revolução Industrial. Basta raciocinar, quanto mais se produz, mais mercados consumidores é preciso arranjar. Aonde a Inglaterra podia, de cara, conseguir um mercado consumidor para seus produtos? Responda comigo: nas Treze Colônias, na América inglesa, no futuro EUA, que é tudo a mesma coisa.
(b) Fator de ordem conjuntural: a Guerra dos Sete Anos entre a Grã-Bretanha e a França. Novamente, é fácil entender isto. Qual a guerra que não onera uma nação? Mesmo vencedora, a coroa britânica gastou muito de seus cofres. Vai sobrar para quem? Quem respondeu "Treze Colônias", acertou na mosca.
No ano em que a guerra acaba, os franceses, derrotados, mas muito malandros, "abraçaram a causa separatista norte-americana, buscando um meio de agredir indiretamente os ingleses", prosseguem as autoras. Sabe aquelas pessoas que não sabem perder? É, os franceses agiram assim... Entretanto, noto as limitações dos livros didáticos em geral, ou seja, um estudante um pouco mais curioso, gostaria de saber como os franceses abraçaram a causa separatista norte-americana, fato que o livro, até aqui, não mostra.
Um outra informação importante é que "muito antes da Guerra dos Sete Anos, os interesses das colônias e da metrópole se diferenciavam". Neste sentido, a metrópole baixa algumas leis prejudiciais aos interesses econômicos dos "coloniais" (atenção, não se preocupe em gravar os anos, mas em visualizar as "medidas" da metrópole contra os interesses coloniais):
- A Lei do Açúcar, em 1733, criando taxas proibitivas para a entrada do melaço vindo das Antilhas francesas;
- Em 1750, sob o pretexto de não prejudicar a indústria britânica, os colonos de Nova York e da Pensilvânia, foram proibidos de trabalhar o ferro;
- Em 1765, a Lei do Selo, estabelecendo que "todos os documentos legais e oficiais em circulação nas colônias eram obrigados a receber selos provenientes da metrópole". (A ilustração deste post é a revolta colonial contra o Stamp Act, isto é, a Lei do Selo)
Bem, a continuar deste jeito, a tensão entre os dois lados só tendia a aumentar mais e mais...
Aí pode surgir a questão: por que a Grã-Bretanha não aliviava um pouco? É mais ou menos perguntar por qual motivo o presidente Bush não retira as tropas do Iraque. Ou seja, como os sujeitos não têm controle sobre as variáveis do processo histórico e os fatos históricos não estão escritos nas estrelas, quer dizer, não tinham que acontecer desta ou daquela maneira ou estavam predeterminados para acontecer, os ingleses não imaginavam que toda aquela pressão resultaria em revoltas coloniais. Pelo menos, não naquele momento...
Livros didáticos de História

1776: Independência ou Revolução?
Suponhamos que um estudante do ensino médio tivesse a curiosidade de aprender um pouco mais sobre os Fundadores da nação norte-americana, assunto de post's anteriores, o que já seria uma raridade...
Suponhamos que ele ou ela não recorresse ao São Google, mas fosse ao bom e velho livro didático, o que ele encontraria?
Vejamos se os livros que eu tenho em casa esclareceriam as discussões que esquentam a imprensa norte-americana às vésperas das eleições para presidente.
O título desse post, por exemplo, eu tirei do livro História: das cavernas ao Terceiro Milênio de autoria de Myriam Becho Mota e Patrícia Ramos Braick, pela Editora Moderna.
O capítulo começa de uma maneira muito interessante, trazendo um questionamento sobre se é possível falar em liberdade nos EUA. Afinal, "práticas segregacionistas fazem parte da história da sociedade norte-americana desde a colonização". Assim, a história social nos Estados Unidos comprova que "o reconhecimento constitucional de um direito não significa, na prática, sua aplicação".
Ótimo. Já é possível estimular nos alunos um pensamento crítico, seja nos EUA, seja em nossa realidade tupiniquim.
Em seguida, as autoras defendem que o pioneirismo da América inglesa em sua ruptura com o sistema colonial deveu-se à "afirmação crescente de uma identidade própria, primeiro local e depois norte-americana, na medida em que os habitantes aumentaram sua força econômica e desenvolveram sua capacidade de se valer do direito para se defender".
Enfim, a precipitação da crise nas Treze Colônias, para as autoras, foi uma conseqüência de "medidas erradas" tomadas no "momento errado" por Londres. Que medidas foram estas?
Intensificação do controle sobre o comércio norte-americano e atlântico.
Por que "no momento errado"?
Justamente quando as colônias queriam relaxar os controles existentes como dar-lhes um fim, nem tanto por razões econômicas, guardem isso, mas por fatores políticos: "os coloniais sentiam-se fortes e prósperos, queriam ter liberdade de movimentos e ação".
Continua...
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Um mórmon na Casa Branca? (parte 2)

"Não confundi os ensinos particulares de minha Igreja com as obrigações do cargo de governador e a Constituição", afirma Romney no discurso.
Em decorrência disto, o pré-candidato religioso garante aos eleitores que, na Presidência de seu país, também não confundirá as estações. Quem viver, verá...
O discurso segue numa insistente auto-defesa de que as questões religiosas, de forma alguma, interferirão na condução das políticas norte-americanas. "Quando eu coloco minha mão sobre a Bíblia e faço o juramento, este juramento torna-se minha mais alta promessa a Deus", garante Romney com toda a convicção.
Assim, se superar seus adversários, Romney afirma que "não servirá a nenhuma religião, a nenhum grupo, a nenhum interesse", pois um presidente, "deve servir apenas a causa comum do povo dos Estados Unidos".
Eu juro que vou me esforçar para acreditar nesta última consideração. Ah, vou mesmo... Afinal, quem não gosta de ser enganado por políticos???
Creio que, até este ponto, já dá para divisar com quem o pré-candidato republicano está dialogando. Com aquela parcela do eleitorado que oferece resistência a candidaturas políticas de filiação religiosa. Ou que tem severas dificuldades com os mórmons... Pronto, mais um assunto que me proponho a pesquisar em breve. Um assunto sempre puxa outro, não tem jeito.
Prosseguindo em sua fala, Romney afirma que "eles" prefeririam que ele simplesmente se distanciasse de sua religião, dizer que ela mais uma tradição do que sua convicção pessoal ou repudiar um ou outro de seus preceitos. No entanto, "isto é o que eu não farei", ressalta o pré-candidato.
"Eu acredito na minha fé mórmon e empenho-me para vivê-la. Minha fé é a fé de meus pais - eu serei verdadeiro com eles e com minhas crenças", corajosamente diz Romney.
Se concorda com a necessária separação entre religião e política, Romney, contudo, acredita que da forma atual, esta separação está muito além de seu significado original. Para ele, os Fundadores não aprovavam a eliminação da religião do espaço público. (Pelo visto, aqui já podemos observar uma das motivações de Ignatius em sua coluna)
Por este motivo, ele, como presidente, promete ter cuidado para "separar os negócios do governo de qualquer religião, porém não nos separarei de 'Deus que nos concedeu a liberdade'".
O resto do discurso não faz menções significativas aos Pais Fundadores que mereça comentário, mas segue no mesmo tom, ou seja, prevenir o eleitorado que sua condição de mórmon não implica obstáculo, nem a sua candidatura ou a uma eventual ocupação da presidência. Muito pelo contrário...
Em suma, a oposição de Ignatius ao discurso de Romney parece fundamentar-se em sua leitura pessoal das convicções religiosas dos Fundadores. Se, de fato, eles se opunham a uma religião pública, o ex-governador se engana em suas proposições. Nada mais justo, portanto, que sugerir um reexame das cartas por eles trocadas de forma a não manter uma opinião equivocada.
Hum... Acho que vou pesquisar este tema!
Um mórmon na Casa Branca?

Mitt Romney, empresário mórmon e pré-candidato à Casa Branca
Nos posts anteriores, "Jefferson e Adams, homens do Iluminismo", expus a opinião de David Ignatius no The Washington Post acerca do discurso de Mitt Romney e prometi que buscaria o discurso.
Bem, descobri que o discurso, "A fé da América", pode ser lido na íntegra no site deste ex-governador do Estado de Massachusetts e que é do partido do presidente Bush.
Mas quem é Romney, o sorridente político da foto? E o que ele, como pré-candidato ao posto de presidente da maior nação do mundo, pode oferecer a seus eleitores e ao planeta?
Como governador, acumulou vitórias e derrotas. Conseguiu, por exemplo, vetar a medida que garantia o acesso à universidade aos filhos de imigrantes ilegais, mas foi derrotado nas intenções de impedir o financiamento das pesquisas com células-tronco embrionárias.
Adversário da imigração ilegal, deu poderes federais à Polícia Estadual para caçar e deportar imigrantes ilegais. Mas o feitiço virou contra o feiticeiro e, em dezembro de 2006, uma reportagem do jornal "Boston Globe" revelou que a casa de Romney em Belmont empregava jardineiros em situação irregular no país.
Navegando na internet, por exemplo, encontrei um editorial do jornal Concord Monitor com o título intrigante "Romney NÃO deveria ser o próximo presidente". Bem, isso fica para um próximo post, pois agora eu quero relacionar este aos dois anteriores, isto é, tentar entender as razões de Ignatius para escrever sua coluna dirigida explicitamente ao pré-candidato Romney.
Um bom começo é ler e analisar o discurso deste homem de negócios-transformado-em-político, como alguns jornais dos EUA estão chamando-o.
"A América defronta-se com uma nova geração de desafios", alerta Romney a certa altura de sua fala. Do lado externo, o Islã, em sua face radical e violenta, a China emergente ameaçando a liderança econômica de seu país, e dentro de casa, os gastos governamentais excessivos, o uso exacerbado do petróleo estrangeiro e o colapso das famílias.
Apesar destes desafios à nação americana, Romney assinala que, em seu discurso, tratará de um ponto fundamental para a grandeza dos EUA: "nossa liberdade religiosa". Segundo ele, é uma questão a ser seriamente considerada face às ameaças que a Nação se depara. Pois, quando os Fundadores, diante dos maiores riscos para o país, pediram "as bênçãos de Deus". E mais, eles descobriram uma conexão essencial entre a sobrevivência de uma terra livre e a defesa da liberdade religiosa.
Adiante, o pré-candidato afirma que ele é um "Americano disputando a Presidência". E que ele não define sua candidatura por sua religião. Em seguida, penso eu, a sua declaração mais enfática: "Uma pessoa não deveria ser eleita por causa de sua fé, nem ser rejeitada por causa de sua fé".
Romney sublinha, no discurso, que nenhuma autoridade da sua Igreja ou de qualquer outra igreja exercerão influência sobre as decisões presidenciais. (No caso de ele conseguir vencer as prévias do partido e, depois, as eleições norte-americanas, superando os outros candidatos democratas)
O discurso é longo, então vou parar aqui, para continuar daqui a pouco...
Jefferson e Adams: homens do Iluminismo (parte 2)

As cartas entre Thomas Jefferson e John Adams
Continuando o post anterior, Ignatius observa que Adams (o simpático velhinho da imagem aqui postada), numa carta enviada a Jefferson (o senhor do post anterior) em 20 de junho de 1815, referira-se a:
"A questão diante da raça humana é se o Deus da natureza deve governar o mundo por Suas próprias leis, ou são os sacerdotes e reis que devem regê-lo por milagres fictícios?"
Atenta Ignatius que Adams desconfiava de sacerdotes e reis, mas que também se mostrava cético em relação aos filósofos revolucionários que tinham arruinado-os na França.
Na resposta de Jefferson a Adams, remetida em 5 de maio de 1817, aquele assevera a este sobre a "verdadeira religião" tal como baseada "em preceitos morais inatos no homem" e a "doutrina sublime do filantropismo e do deísmo ensinados por Jesus de Nazaré". Jefferson, continua Ignatius, contrastava assim, a verdadeira fé aos "dogmas sectários".
E se caso a versão sectária prevalecesse, preocupava-se Jefferson, melhor seria, portanto, concordar com as especulações de Adams, ou seja, de que "este seria o melhor dos mundos se não houvesse religião nele".
Em outra missiva de Adams, do dia 4 de novembro de 1816, portanto, anterior a esta de seu companheiro, ele declara:
"Temos agora uma Sociedade Bíblica nacional, para propagar a Bíblia do Rei James por todas as nações. Não seria melhor aplicar estas pias subscrições para purificar a Cristandade das corrupções do Cristianismo do que propagar aquelas corrupções na Europa, Ásia, África e América?"
Ignatus frisa que os Fundadores acreditavam em Deus, mas para muitos dentre eles, sua fé era uma questão profundamente privada, tal como Jefferson, em carta do dia 11 de janeiro de 1817, assinalara a respeito da sua fé, ou seja, "conhecida por meu Deus e por mim apenas". Com efeito, para eles, a demonstração pública da religiosidade consistia numa profanação de seu exercício interior e espiritual.
Na atual campanha presidencial nos EUA, destaca Ignatus, um dos temas tem sido definir se seu país sairá das políticas baseadas na fé que a administração Bush tem celebrado como a proposta mais racional e secular. Neste debate, religiosos conservadores gostam de enfatizar sua ligação com os Fundadores e com o nascimento da Nação como "uma nação sob Deus". No entanto, uma releitura das cartas entre Jefferson e Adams relembraria aos americanos, conclui Ignatus, que neste debate os Fundadores, como "homens do Iluminismo", estariam do lado do partido da Razão.
Egito vs Israel

Ministro egípcio reclama de "lobby" israelense para prejudicar relações entre o Egito e os EUA, segundo o jornal The Jerusalem Post.
O encontro entre o primeiro ministro de Israel, Ehud Barak, com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, foi azedado pelas acusações feitas pelo Ministro do Exterior egípcio, Ahmed Aboul Gheit (foto ao lado), sobre a suposta existência de um "lobby" israelense para prejudicar as relações políticas e econômicas entre o Egito e os EUA.
Um influente senador norte-americano, Arlen Specter, (o jornal não especifica se ele é o do Partido Democrata ou do Republicano) chegou a afirmar que as suspeitas de contrabando de armas do Egito para integrantes do Hamas na Faixa de Gaza, mostrava-se uma "situação intolerável" em função da cumplicidade do governo egípcio com o contrabando (e, evidentemente, a ajuda ao "grupo terrorista" palestino).
Caso o governo egípcio não se esforce para dirimir estas dúvidas, a ajuda norte-americana ao país pode passar a ser condicionada, assegurou o senador ao The Jerusalem Post.
Cumpre lembrar que os EUA dão ao governo de Mubarak, anualmente, 2 bilhões de dólares, que é uma quantia considerável.
O encontro entre o primeiro ministro de Israel, Ehud Barak, com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, foi azedado pelas acusações feitas pelo Ministro do Exterior egípcio, Ahmed Aboul Gheit (foto ao lado), sobre a suposta existência de um "lobby" israelense para prejudicar as relações políticas e econômicas entre o Egito e os EUA.
Um influente senador norte-americano, Arlen Specter, (o jornal não especifica se ele é o do Partido Democrata ou do Republicano) chegou a afirmar que as suspeitas de contrabando de armas do Egito para integrantes do Hamas na Faixa de Gaza, mostrava-se uma "situação intolerável" em função da cumplicidade do governo egípcio com o contrabando (e, evidentemente, a ajuda ao "grupo terrorista" palestino).
Caso o governo egípcio não se esforce para dirimir estas dúvidas, a ajuda norte-americana ao país pode passar a ser condicionada, assegurou o senador ao The Jerusalem Post.
Cumpre lembrar que os EUA dão ao governo de Mubarak, anualmente, 2 bilhões de dólares, que é uma quantia considerável.
Perguntado pelo The Jerusalem Post se confirmava o envio de vídeos para o Congresso dos EUA com o propósito de pressionar os políticos simpatizantes da causa israelense, Barak respondeu: "Nós não fazemos isto, somente respondemos quando somos perguntados".
Entretanto, as forças de segurança egípcias confirmaram a apreensão de armas, meia tonelada de explosivos e 1200 kilos de nitrato de potássio usados para confeccionar bombas contrabandeados na fronteira com a Faixa de Gaza.
Cá entre nós, que interesse o Egito pode ter em armar o Hamas?
A não ser que todo o discurso conciliador de
Mubarak, não passe de um engodo. Por outro lado, com que objetivo o governo israelense estaria tentando forçar a redução da ajuda financeira dos EUA ao governante egípcio?
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