Pausa na Folha, olhada no Globo
Antes de prosseguir com a última matéria da Folha, gostaria de mostrar a abordagem de O Globo sobre as eleições presidenciais na Bolívia. O jornal da família Marinho é bem mais explícito no que expõe acerca do governo Morales. Assim, no dia 6/12, presenteou seus leitores com o editorial "Chance na Bolívia".
Seu ponto de partida é a certeza de que as urnas não apresentariam surpresas. Evo Morales seria consagrado presidente para mais um mandato. Algum motivo especial para essa convicção do jornal? Pelo menos nesse primeiro parágrafo, não.
No parágrafo seguinte o editorial revela a seus leitores que a pretensão do MAS, o partido do presidente, é obter maioria na Câmara e no Senado "para aprovar o que lhe convier". Ou seja, pelo que essas palavras dão a entender, Morales tenta instalar uma ditadura democrática, se é que essa expressão existe.
Mais além, o jornal afirma existirem duas situações que afastam "os investimentos necessários ao desenvolvimento da Bolívia": (1) o separatismo e (2) esquerdismo indigenista estatizante de Morales. Mesmo com esses fatores, ou apesar deles, o Globo reconhece "indicadores econômicos positivos", embora "os índices sociais" permaneçam "estagnados".
Assim, sem investimentos para o desenvolvimento e com índices sociais estagnados, é preciso perguntar novamente: como explicar a reeleição de Morales, tida como certa pelo editorial? Sem entrar em detalhes sobre isso, o editorial clama por um amadurecimento do presidente boliviano na forma de conduzir os rumos da nação vizinha.
E o que significa esse amadurecimento? Ter consciência que Hugo Chávez não é uma boa companhia e buscar evitar, a todo custo, a tentação de "aprofundar a experiência bolivariana e aguçar novamente o separatismo".
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sábado, 12 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Eleições presidenciais na Bolívia (parte 2)
Na matéria seguinte, a Folha entrevista George Gray Molina, ex-diretor do programa de desenvolvimento da ONU (Pnud) na Bolívia e disponibiliza em seu site três perguntas.
A primeira é sobre a percepção dos bolivianos sobre si mesmos a partir da ascensão de Morales à presidência. Talvez a Folha esteja buscando na resposta do analista político uma explicação para a segunda vitória do ex-cocaleiro...
Afinal de contas, Molina fez parte de um programa da ONU sobre desenvolvimento na Bolívia. Quem sabe ele não oferece a chave para compreender o resultado do pleito...
Sobre a percepção dos bolivianos, Molina identifica:
"O surgimento de um' senso comum' que apoia a mudança social, a democracia como resolução de conflitos, a emergência de novas elites políticas e sociais e as mudanças nas políticas de recursos naturais. Entre 70% e 80% da população o compartilha. Ao mesmo tempo, continua a polarização em torno de Morales. De toda forma, ele é o depositário do 'imaginário' de mudança. Muitos dos questionamentos da oposição sobre política econômica não afetam sua imagem. A oposição não persuade, simula conversa 'entre convertidos' -que não capta novos votos nem provoca um imaginário alternativo de esperança social e política."
Em princípio, portanto, Morales atuaria mais no campo do imaginário coletivo blindando a si contra todos os questionamentos de seus opositores. Molina não diz, mas parece dar razão às críticas da oposição e aposta suas fichas no convencimento popular como a causa da segunda vitória de Morales.
Questionado sobre a polarização racial na Bolívia, fomentada por Morales, Molina frustra a Folha apontando que a polarização tem pouco a ver com o indigenismo. Antes, a polarização "tem a ver com as receitas dos recursos naturais e os projetos políticos que ganham ou perdem com a sua administração. Muito da polarização gira em torno de questões que afetam o equilíbrio de poder entre os projetos centralizados (MAS) ou descentralizados (autonomia) entre as novas elites (de extração popular) e as velhas (comitês cívicos, os partidos tradicionais)."
Convém assinalar o acerto da Folha em entrevistar um analista que viveu a realidade boliviana (embora a reportagem não informe por quanto tempo). Essa segunda pergunta foi uma bola na trave.
Por fim, a terceira pergunta. Que gira em torno da nova Constituição. Ainda dá tempo de se recuperar e tirar de Molina algo que tire o brilho da vitória de Morales. Molina declara que a nova Carta, do ponto de vista político, "oferece uma ordem jurídica híbrida, que incorpora direitos liberais e comunitários, individuais e coletivos, estatais e de mercado. Essa busca de um híbrido é o apropriado para uma sociedade num processo de transição política e social acelerado."
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Eleições presidenciais na Bolívia
A vitória de Evo Morales aos olhos da Folha de São Paulo
Aconteceram ontem (6/12/09) as eleições presidenciais na Bolívia. Segundo todas as projeções, o atual presidente Evo Morales venceu o pleito já no primeiro turno e obteve também vitórias na Câmara e no Senado ampliando sua margem de manobra política no seu próximo mandato.
Como eu gosto de fazer, consultei algumas publicações nacionais e estrangeiras a fim de avaliar o viés e o tom com que cada um dos jornais e revistas abordam a recondução do cocaleiro ao poder máximo no país vizinho.
Assim, a Folha de São Paulo dedicou um bom espaço à cobertura da notícia com alguns traços peculiares. Ao todo, ela produziu três matérias (perdoem-me os jornalistas se o termo não for esse) além de destacar duas frases ditas, uma pelo próprio presidente eleito e outra, por um pesquisador.
Os títulos escolhidos para cada uma das matérias parecem apontar a tendência com que o jornal tratou as eleições: "Morales leva Presidência e Senado na Bolívia"; "Nova Constituição politizará Justiça, diz analista" e "Divisão de apoios em bastião evista reflete país em transformação".
Nesse sentido, "Morales leva..." sublinha a conquista de Evo, mas destaca que o principal objetivo do presidente era obter maioria na Assembleia Plurinacional para implementar a nova Constituição boliviana. Além disso, a cobertura preocupou-se em mapear, conforme as pesquisas de boca de urna, os departamentos importantes da Bolívia em que Evo ganhou e perdeu. Como essa primeira matéria é apenas informativa, recheada de números e porcentagens, ela pode ludibriar o leitor se esse não prestar atenção nos pequenos detalhes sutilmente colocados: "nova Constituição boliviana". Aliás, um leitor mais atento pode exatamente ficar curioso com as razões para a matéria tocar nesse ponto.
Mas as coisas começam a tomar forma na matéria seguinte: "Nova Constituição politizará Justiça, diz analista".
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Eleições presidenciais no Uruguai (parte 2)

"Urnas confirmam segundo turno"
O Jornal do Brasil, na mesma data de O Globo, não destacou em sua capa, nem em editorial, o resultado das eleições presidenciais uruguaias limitando-se a informar a necessidade de um segundo turno.
Segundo o jornal, o resultado "ratificou a divisão do país de 3,3 milhões de habitantes entre uma esquerda que se mostrou moderada em sua primeira gestão e a centro-direita tradicional".
Por que o JB abordou dessa forma as eleições uruguaias?
Para O Globo, o resultado expressou o amadurecimento democrático da sociedade uruguaia. Para o JB, a divisão dos uruguaios.
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Eleições presidenciais no Uruguai

O Uruguai dá o exemplo
Escrevo este post para comparar visões sobre as eleições recentes no nosso vizinho Uruguai. Em verdade, meu interesse surgiu quando li na primeira página de O Globo (27/10/2009) a chamada: "Uruguai: direita mais forte para o 2° turno". E, abaixo dessa chamada, o regozijo do jornal carioca com o triplo êxito da direita uruguaia.
No entanto, apesar de a chamada poder ser interpretada de diferentes maneiras, tanto a favor quanto contra as pretensões do partido Frente Ampla , que governa o país, e seu candidato José "Pepe" Mujica (foto), em afirmar sua vitória já no 1° turno, foi o título do editorial desse mesmo dia que me atraiu: "Exemplo uruguaio".
Que exemplo o jornal estaria falando, me perguntei.
Assim, não havia outra coisa a fazer a não ser ler o dito editorial. Segundo o jornal, mostra-se um alento que o Uruguai esteja vivenciando seu processo político-eleitoral "sem sustos". Afinal, continua o texto, num continente repleto de "projetos continuístas" e, por conseguinte, "antidemocráticos", o fato de o Uruguai respeitar a regra democrática comezinha "da rotatividade no poder" mereceria destaque pelo "bom exemplo".
Mais que isso, o jornal creditou à sociedade uruguaia o resultado do pleito. Com efeito, o que se viu, afirma o editorial, foi a consolidação de práticas democráticas garantidoras de uma "experiência eleitoral sem turbulências", à medida que estaria em curso, na América Latina, "um perigoso ciclo de autoritarismo lastreado em referendos e plebiscitos, usados por líderes populistas para destruir a democracia representativa, e instituir regimes autocratas, caso de Venezuela, Bolívia e Equador".
Ademais, embora dirigido por um partido de esquerda, o Uruguai, conclui o editorial, "parece ter desenvolvido providenciais anticorpos em defesa das liberdades".
Ou seja, se eu entendi corretamente, a ocorrência de eleições presidenciais no Uruguai e a aceitação de seu resultado é que denotaria o "bom exemplo" aludido.
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Religião e Política

Se os Pais Fundadores eram homens do Iluminismo, a razão governava sua maneira de pensar.
Por conseqüência, a política norte-americana, herdeira de Jefferson e Adams, não precisa de políticos religiosos, como Mitt Romney. Acho que este é, no fundo, o cerne da oposição do Sr. Ignatius à candidatura do homem de negócios-feito-político mórmon.
Assim, as cartas por eles trocadas (pelo menos as que o colunista do The Washington Post selecionou) deixariam clara a idéia que religião e política não se misturam, ou antes, que a primeira é nociva à segunda.
Logo, não faria o menor sentido alegar, como fez no discurso "Faith in America" (http://www.mittromney.com) o empresário pré-candidato à presidência dos EUA, que, assim como os Fundadores pediram bênçãos a Deus nos momentos de maior perigo na luta por sua independência, que ele governaria com um olho na Constituição e o outro na Bíblia Sagrada.
A eventual vitória de Mitt Romney (na foto com sua esposa ao fundo) ao cargo de presidente da nação mais religiosa do mundo, resultaria numa teocracia?
Vou pensar...
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Um mórmon na Casa Branca? (parte 2)

"Não confundi os ensinos particulares de minha Igreja com as obrigações do cargo de governador e a Constituição", afirma Romney no discurso.
Em decorrência disto, o pré-candidato religioso garante aos eleitores que, na Presidência de seu país, também não confundirá as estações. Quem viver, verá...
O discurso segue numa insistente auto-defesa de que as questões religiosas, de forma alguma, interferirão na condução das políticas norte-americanas. "Quando eu coloco minha mão sobre a Bíblia e faço o juramento, este juramento torna-se minha mais alta promessa a Deus", garante Romney com toda a convicção.
Assim, se superar seus adversários, Romney afirma que "não servirá a nenhuma religião, a nenhum grupo, a nenhum interesse", pois um presidente, "deve servir apenas a causa comum do povo dos Estados Unidos".
Eu juro que vou me esforçar para acreditar nesta última consideração. Ah, vou mesmo... Afinal, quem não gosta de ser enganado por políticos???
Creio que, até este ponto, já dá para divisar com quem o pré-candidato republicano está dialogando. Com aquela parcela do eleitorado que oferece resistência a candidaturas políticas de filiação religiosa. Ou que tem severas dificuldades com os mórmons... Pronto, mais um assunto que me proponho a pesquisar em breve. Um assunto sempre puxa outro, não tem jeito.
Prosseguindo em sua fala, Romney afirma que "eles" prefeririam que ele simplesmente se distanciasse de sua religião, dizer que ela mais uma tradição do que sua convicção pessoal ou repudiar um ou outro de seus preceitos. No entanto, "isto é o que eu não farei", ressalta o pré-candidato.
"Eu acredito na minha fé mórmon e empenho-me para vivê-la. Minha fé é a fé de meus pais - eu serei verdadeiro com eles e com minhas crenças", corajosamente diz Romney.
Se concorda com a necessária separação entre religião e política, Romney, contudo, acredita que da forma atual, esta separação está muito além de seu significado original. Para ele, os Fundadores não aprovavam a eliminação da religião do espaço público. (Pelo visto, aqui já podemos observar uma das motivações de Ignatius em sua coluna)
Por este motivo, ele, como presidente, promete ter cuidado para "separar os negócios do governo de qualquer religião, porém não nos separarei de 'Deus que nos concedeu a liberdade'".
O resto do discurso não faz menções significativas aos Pais Fundadores que mereça comentário, mas segue no mesmo tom, ou seja, prevenir o eleitorado que sua condição de mórmon não implica obstáculo, nem a sua candidatura ou a uma eventual ocupação da presidência. Muito pelo contrário...
Em suma, a oposição de Ignatius ao discurso de Romney parece fundamentar-se em sua leitura pessoal das convicções religiosas dos Fundadores. Se, de fato, eles se opunham a uma religião pública, o ex-governador se engana em suas proposições. Nada mais justo, portanto, que sugerir um reexame das cartas por eles trocadas de forma a não manter uma opinião equivocada.
Hum... Acho que vou pesquisar este tema!
Um mórmon na Casa Branca?

Mitt Romney, empresário mórmon e pré-candidato à Casa Branca
Nos posts anteriores, "Jefferson e Adams, homens do Iluminismo", expus a opinião de David Ignatius no The Washington Post acerca do discurso de Mitt Romney e prometi que buscaria o discurso.
Bem, descobri que o discurso, "A fé da América", pode ser lido na íntegra no site deste ex-governador do Estado de Massachusetts e que é do partido do presidente Bush.
Mas quem é Romney, o sorridente político da foto? E o que ele, como pré-candidato ao posto de presidente da maior nação do mundo, pode oferecer a seus eleitores e ao planeta?
Como governador, acumulou vitórias e derrotas. Conseguiu, por exemplo, vetar a medida que garantia o acesso à universidade aos filhos de imigrantes ilegais, mas foi derrotado nas intenções de impedir o financiamento das pesquisas com células-tronco embrionárias.
Adversário da imigração ilegal, deu poderes federais à Polícia Estadual para caçar e deportar imigrantes ilegais. Mas o feitiço virou contra o feiticeiro e, em dezembro de 2006, uma reportagem do jornal "Boston Globe" revelou que a casa de Romney em Belmont empregava jardineiros em situação irregular no país.
Navegando na internet, por exemplo, encontrei um editorial do jornal Concord Monitor com o título intrigante "Romney NÃO deveria ser o próximo presidente". Bem, isso fica para um próximo post, pois agora eu quero relacionar este aos dois anteriores, isto é, tentar entender as razões de Ignatius para escrever sua coluna dirigida explicitamente ao pré-candidato Romney.
Um bom começo é ler e analisar o discurso deste homem de negócios-transformado-em-político, como alguns jornais dos EUA estão chamando-o.
"A América defronta-se com uma nova geração de desafios", alerta Romney a certa altura de sua fala. Do lado externo, o Islã, em sua face radical e violenta, a China emergente ameaçando a liderança econômica de seu país, e dentro de casa, os gastos governamentais excessivos, o uso exacerbado do petróleo estrangeiro e o colapso das famílias.
Apesar destes desafios à nação americana, Romney assinala que, em seu discurso, tratará de um ponto fundamental para a grandeza dos EUA: "nossa liberdade religiosa". Segundo ele, é uma questão a ser seriamente considerada face às ameaças que a Nação se depara. Pois, quando os Fundadores, diante dos maiores riscos para o país, pediram "as bênçãos de Deus". E mais, eles descobriram uma conexão essencial entre a sobrevivência de uma terra livre e a defesa da liberdade religiosa.
Adiante, o pré-candidato afirma que ele é um "Americano disputando a Presidência". E que ele não define sua candidatura por sua religião. Em seguida, penso eu, a sua declaração mais enfática: "Uma pessoa não deveria ser eleita por causa de sua fé, nem ser rejeitada por causa de sua fé".
Romney sublinha, no discurso, que nenhuma autoridade da sua Igreja ou de qualquer outra igreja exercerão influência sobre as decisões presidenciais. (No caso de ele conseguir vencer as prévias do partido e, depois, as eleições norte-americanas, superando os outros candidatos democratas)
O discurso é longo, então vou parar aqui, para continuar daqui a pouco...
Jefferson e Adams: homens do Iluminismo (parte 2)

As cartas entre Thomas Jefferson e John Adams
Continuando o post anterior, Ignatius observa que Adams (o simpático velhinho da imagem aqui postada), numa carta enviada a Jefferson (o senhor do post anterior) em 20 de junho de 1815, referira-se a:
"A questão diante da raça humana é se o Deus da natureza deve governar o mundo por Suas próprias leis, ou são os sacerdotes e reis que devem regê-lo por milagres fictícios?"
Atenta Ignatius que Adams desconfiava de sacerdotes e reis, mas que também se mostrava cético em relação aos filósofos revolucionários que tinham arruinado-os na França.
Na resposta de Jefferson a Adams, remetida em 5 de maio de 1817, aquele assevera a este sobre a "verdadeira religião" tal como baseada "em preceitos morais inatos no homem" e a "doutrina sublime do filantropismo e do deísmo ensinados por Jesus de Nazaré". Jefferson, continua Ignatius, contrastava assim, a verdadeira fé aos "dogmas sectários".
E se caso a versão sectária prevalecesse, preocupava-se Jefferson, melhor seria, portanto, concordar com as especulações de Adams, ou seja, de que "este seria o melhor dos mundos se não houvesse religião nele".
Em outra missiva de Adams, do dia 4 de novembro de 1816, portanto, anterior a esta de seu companheiro, ele declara:
"Temos agora uma Sociedade Bíblica nacional, para propagar a Bíblia do Rei James por todas as nações. Não seria melhor aplicar estas pias subscrições para purificar a Cristandade das corrupções do Cristianismo do que propagar aquelas corrupções na Europa, Ásia, África e América?"
Ignatus frisa que os Fundadores acreditavam em Deus, mas para muitos dentre eles, sua fé era uma questão profundamente privada, tal como Jefferson, em carta do dia 11 de janeiro de 1817, assinalara a respeito da sua fé, ou seja, "conhecida por meu Deus e por mim apenas". Com efeito, para eles, a demonstração pública da religiosidade consistia numa profanação de seu exercício interior e espiritual.
Na atual campanha presidencial nos EUA, destaca Ignatus, um dos temas tem sido definir se seu país sairá das políticas baseadas na fé que a administração Bush tem celebrado como a proposta mais racional e secular. Neste debate, religiosos conservadores gostam de enfatizar sua ligação com os Fundadores e com o nascimento da Nação como "uma nação sob Deus". No entanto, uma releitura das cartas entre Jefferson e Adams relembraria aos americanos, conclui Ignatus, que neste debate os Fundadores, como "homens do Iluminismo", estariam do lado do partido da Razão.
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