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sábado, 18 de outubro de 2008

Boato ou verdade?

Bush oferece Golã aos sírios

Segundo o jornal israelense Haaretz (www.haaretz.com) o quase ex-presidente George W. Bush estaria oferecendo aos sírios as colinas de Golã se esses cortassem todas as relações com o Irã. Implica dizer, Bush teria que pressionar Israel a aceitar abandonar as colinas conquistadas (não cabe aqui discutir se Golã é de Israel por direito ou não).

Verdade ou boato?

De acordo com o periódico, Bush fez a proposta através de uma carta escrita a mão e entregue ao presidente sírio por meio do presidente palestino Mahmoud Abbas. O objetivo do presidente Bush seria o de avançar nas negociações de paz antes do fim de seu segundo mandato.

No entanto, o jornal não confirmou se todos os envolvidos no caso (Bush, Abbas e o presidente sírio) realmente agiram conforme as fontes que o jornalista da publicação israelense diz ter tomado conhecimento.

Ou seja, tudo pode ter sido apenas um boato espalhado e que o jornal considerou válido publicar. De qualquer forma, verdadeira ou não, é uma notícia que a imprensa brasileira não transmitiu.

sábado, 2 de agosto de 2008

Sempre divididos?

Membros do Fatah fogem de Gaza para Israel

Dezenas de integrantes do Fatah, grupo do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, fugiram de Gaza neste sábado, após combates com o movimento islâmico Hamas, e foram recebidos em Israel, revelou um funcionário israelense.

Os feridos foram hospitalizados em Israel e os demais, transferidos para a cidade de Ramallah, na Cisjordânia, sede da Autoridade Palestina, disse o funcionário, que pediu para não ser identificado.

Após os combates entre militantes do Fatah e do Hamas, que deixaram quatro mortos e cerca de 60 feridos, pelo menos 30 integrantes do movimento de Abbas se apresentaram ao posto de fronteira de Nahal Oz, entre Israel e a Faixa de Gaza, revelaram várias testemunhas.

Entre os que se refugiaram em Israel estão Ahmed e Adel Helis, que dirigem um importante clã ligado ao Fatah e envolvido nos recentes confrontos.

A decisão excepcional de abrir a fronteira foi tomada pelo ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, a pedido de Abbas e do primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad.

Israel fechou a fronteira com a Faixa de Gaza após o Hamas assumir o controle deste território, em junho de 2007.

Os confrontos deste sábado começaram quando forças do Hamas tentaram prender, no bairro Chujaiya de Gaza, vários membros do clã Helis, supostamente envolvidos no atentado com bomba que em 25 de julho matou cinco membros das Brigadas Ezzedin al-Qassam, brazo armado do Hamas, e uma menina de cinco anos.

O porta-voz do Hamas em Gaza, Sami Abu Zuhri, acusou formalmente vários membros da família Helis pelo atentado de 25 de julho. "Já houve várias detenções, e ainda haverá várias outras. Pedimos à polícia que seja firme", avisou.

Zuhri também acusou a família Helis e outros clãs que não nomeou de "se esconder num complexo de casas em Chujaiya e disparar tiros de morteiro contra a polícia do Hamas". "Eles também dispararam um foguete contra o centro da cidade de Gaza, que milagrosamente não deixou feridos".

Contactado pela AFP, Adel Helis desmentiu as acusações do Hamas: "Não disparamos foguetes, nem tiros de morteiro. Já o Hamas comete crimes".

Ahmed Helis acrescentou que "as forças do Hamas sitiaram nossa casa e começaram a bombardeá-la com morteiro".

Mahmud Abbas expressou seu apoio a Ahmed Helis e "denunciou o ataque do Hamas", segundo um comunicado emitido pelo escritório do presidente da Autoridade Palestina.

Desde o atentado de 25 de julho, o Hamas prendeu mais de 300 pessoas, a maioria membros do Fatah, na Faixa de Gaza.

O Fatah nega qualquer envolvimento no atentado de 25 de julho, e culpa uma dissidência do Hamas pelo ataque.

domingo, 20 de julho de 2008

Sempre divididos

"Partido palestino tenta sanar suas divisões internas, mas outras rapidamente surgem"

A matéria não é nova (foi publicada em 26 de junho de 2008), mas penso que é válido registrar e comentar. Saiu na The Economist e, já pelo subtítulo, demonstra o pessimismo dos editores da revista inglesa.

Na perspectiva dos ingleses as chances de paz na região estão na dependência exclusiva de uma vitória eleitoral do partido Fatah sobre seu adversário "fundamentalista" Hamas, já que esse se opõe fortemente a qualquer diálogo com Israel.

Entretanto, segundo a The Economist, existiria entre os partidários do Fatah graves divergências e sérias acusações. Para uns, as lideranças do partido estariam articulando, nos bastidores, para impedir a ascensão de Marwan Barghouti que, segundo algumas pesquisas de opinião, é o mais popular entre os eleitores na Faixa de Gaza. Detalhe: Barghouti está preso em Israel (foto acima).

Por sua vez, os aliados de Barghouti receiam que Ahmed Qurei (foto abaixo) esteja manobrando para suceder Mahmoud Abbas na chefia do partido e dali, alçar-se à presidência.

Além destes conflitos internos de poder, o Fatah também estaria dividido em dois debates ideológicos. Um deles, sobre uma reconciliação com o Hamas e o outro, a respeito das conversas de paz com Israel.


Tudo passando por uma questão polêmica: um único Estado ou dois Estados separados? Como não há, conforme a revista inglesa, um consenso sobre essa questão, mais distante está a paz definitiva na região.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Oriente Médio

Corrida armamentista nuclear nos países do Oriente Médio

Onze países árabes declararam ter interesse em desenvolver tecnologia nuclear. Pelo menos é o que o colunista do Jerusalem Post, Michael Freund, afirma saber. E isto seria, segundo Freund, o preço que Washington paga por sua obsessão com os palestinos.

Conforme seu argumento, o tempo que os diplomatas norte-americanos gastam "batendo suas cabeças contra o muro palestino" eles estão deixando de observar uma questão que ameaça estremecer os fundamentos da região inteira, ou seja, o perigo crescente de uma corrida nuclear no Oriente Médio.

Freund aponta que, ao não conseguir interromper o plano atômico do Irã, o Ocidente deixou em aberto a possibilidade dos outros países da região, incomodados com a presença de Israel, também se armarem. Pois, à medida que se desenvolve a sensação que Washington não teve vontade firme para parar o programa nuclear de Ahmadinejad, os outros países da região não encontrariam razões para igualmente manter-se neutros.

O colunista não acredita que as razões alegadas por alguns estadistas árabes para desenvolver a energia nuclear em seus países - uma alternativa energética - deva ser levada a sério. Por conseguinte, Freund alerta que, para Washington, somente resta uma escolha muito simples:

"Mantenha-se focado sobre os palestinos se assim desejar, porém não se surpreenda se um dia você acordar e descobrir um Oriente Médio com bombas atômicas".

Fato é que em vários jornais que pesquisei nada se fala sobre as pretensões armamentistas dos países árabes em torno de Israel. Não significa que o colunista do Jerusalem Post esteja blefando, mas trata-se de uma informação que se deve manter reverberando na memória.

Até que ponto esta pretensão irá se concretizar não é possível saber. Caso haja uma mínima chance de ser real, um futuro ameaçador aguarda os habitantes da região.

sábado, 1 de março de 2008

Oriente Médio

Bombardeio em Gaza

Acompanho com vívido interesse o desenrolar dos conflitos no Oriente Médio, procurando ler diariamente todas as notícias referentes ao cotidiano da Palestina, buscando, com muita esperança, alguma mudança positiva na região. Implica dizer, a paz entre árabes e israelenses.

Estes dias o mundo presencia, mais uma vez, uma escalada de violência e mortes. O bombardeio israelense sobre a Faixa de Gaza deixou, até agora, um saldo de pelo menos 35 palestinos mortos e, conforme as autoridades médicas, dezenas de feridos graves.

Este post, no entanto, tem por objetivo avaliar como os jornais estrangeiros estão tratando este recente confronto. Começando pelo The Jerusalem Post.

Na edição de hoje do site do jornal, selecionei algumas matérias e editoriais. Entre elas, a matéria "47 palestinos mortos durante incursão da IDF na Faixa de Gaza".

Não sou versado em técnicas jornalísticas de redação, mas algo soa um pouco estranho. Como o título deixa claro, o jornal busca chamar a atenção do leitor para o fato de quarenta e sete palestinos terem sido mortos após ataque da força militar israelense. Contudo, as primeiras linhas do texto destacam a morte de DOIS soldados e CINCO feridos entre as tropas israelenses durante a operação militar cujo alvo é combater os foguetes lançados pelo Hamas contra cidades israelenses. No mesmo parágrafo, mas com menor destaque, o jornal informa que 47 palestinos foram mortos e pelo menos 40 ficaram feridos.

Continuando o texto, observa-se que a idade dos soldados israelenses mortos não passava dos 20 anos, mas as idades dos palestinos atingidos fatalmente sequer são mencionadas. Embora o jornal mencione a morte de um bebê e de dois adolescentes, na mesma linha em que isto é dito, entretanto, é frisado que Israel foi bombardeado por, no mínimo, 44 foguetes.

A impressão é que o jornal tenta justificar os ataques e minimizar as baixas civis do lado palestino.

Depois volto ao assunto.


quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Egito vs Israel


Ministro egípcio reclama de "lobby" israelense para prejudicar relações entre o Egito e os EUA, segundo o jornal The Jerusalem Post.

O encontro entre o primeiro ministro de Israel, Ehud Barak, com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, foi azedado pelas acusações feitas pelo Ministro do Exterior egípcio, Ahmed Aboul Gheit (foto ao lado), sobre a suposta existência de um "lobby" israelense para prejudicar as relações políticas e econômicas entre o Egito e os EUA.

Um influente senador norte-americano, Arlen Specter, (o jornal não especifica se ele é o do Partido Democrata ou do Republicano) chegou a afirmar que as suspeitas de contrabando de armas do Egito para integrantes do Hamas na Faixa de Gaza, mostrava-se uma "situação intolerável" em função da cumplicidade do governo egípcio com o contrabando (e, evidentemente, a ajuda ao "grupo terrorista" palestino).

Caso o governo egípcio não se esforce para dirimir estas dúvidas, a ajuda norte-americana ao país pode passar a ser condicionada, assegurou o senador ao The Jerusalem Post.

Cumpre lembrar que os EUA dão ao governo de Mubarak, anualmente, 2 bilhões de dólares, que é uma quantia considerável.

Perguntado pelo The Jerusalem Post se confirmava o envio de vídeos para o Congresso dos EUA com o propósito de pressionar os políticos simpatizantes da causa israelense, Barak respondeu: "Nós não fazemos isto, somente respondemos quando somos perguntados".

Entretanto, as forças de segurança egípcias confirmaram a apreensão de armas, meia tonelada de explosivos e 1200 kilos de nitrato de potássio usados para confeccionar bombas contrabandeados na fronteira com a Faixa de Gaza.

Cá entre nós, que interesse o Egito pode ter em armar o Hamas?

A não ser que todo o discurso conciliador de
Mubarak, não passe de um engodo. Por outro lado, com que objetivo o governo israelense estaria tentando forçar a redução da ajuda financeira dos EUA ao governante egípcio?